terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Pouco ou muito? Uma escolha de vida... [ou Nicolay Davydenko x Soderling, Federer e Del Potro].



Chegaram e passaram os dias da copa do mundo de tênis {outrora “Masters Cup” [uma das quais vencida pelo nosso Guga Kuerten, derrotando Pete Sampras na semifinal e Andre Agassis – não dopado, espera-se... –, na final, em sets diretos], hoje “ATP World Tour Finals”}, em que os oito melhores do mundo se enfrentam, em torneio suíço [round robin] de dois grupos de quatro, classificando-se os dois melhores de cada grupo e entrecruzando-se, em semifinal e final. Neste 2009, o grupo A teve Federer, Murray, Del Potro e Verdasco; o outro, Nadal [lesionado], Djokovic, Davydenko e Robin Soderling [este não estava entre os oito, mas ficou com a vaga de Andy Roddick, que desistiu do torneio, por lesão].

Federer perdeu todos os primeiros sets de seus quatro jogos; nos dois primeiros duelos, venceu de virada [contra Murray e Verdasco]; no terceiro, não conseguiu virar contra Del Potro, mas classificou-se, ainda assim, em primeiro no grupo, graças ao saldo de games! Foi tão elegante junto à rede, no cumprimento final da partida, que deixou a impressão de não haver se esforçado muito, para vencer, mas isto é só uma impressão: tivemos tiebreak e 7-5 para Federer que, se perdesse este set desempate, voltaria para a Suíça, de mãos abanando... Na semifinal, perdeu o primeiro set contra Davydeno [2-6], venceu o segundo [6-4] e, ganhando o terceiro set por 4 a 3, teve 0-30 no saque de Davydenko, mas perdeu as duas chances de break, levou a decepção/baque emocional para o game seguinte, sofreu a quebra de saque e perdeu o jogo [4-6], no game seguinte, mesmo salvando um match point...

Se conquistasse este torneio, Federer se igualaria a Sampras e a Borg, ambos com 5 títulos de masters. Mas mesmo para o quase unanimemente apontado como o melhor de todos os tempos as coisas nem sempre são fáceis. Agora me lembro das palavras de Marat Safin sobre Federer, dia destes [20.11.2009], em entrevista publicada no site oficial da ATP:

“Roger Federer é, definitivamente, o melhor jogador de tênis de todos os tempos. Ele é o tenista perfeito. Alguns jogadores são grandes do ponto de vista físico, alguns mentalmente, e outros tecnicamente. Roger é tudo isto. Ele não tem fraquezas. Você pode encontrar fraquezas em Agassis e Sampras, mas Federer não tem nenhuma. Ele é o jogador completo. Quando eu jogava contra ele, sempre tinha o sentimento de que precisava jogar minha partida perfeita e ainda esperar que ele tivesse um dia ruim.”

Voltando. Nadal perdeu todos os seus jogos, em sets diretos [ou seja: não venceu um único set – apesar de ter lutado uns dois ou três sets de desempate], mas suas contusões explicam sua fase, sem qualquer dúvida. Perdeu com elegância, com brio [se é que serve de consolo aos seus milhões de fãs]. Deu dó do natural de Manacor.

Djokovic venceu duas [Nadal e Davydenko] e foi eliminado no número de sets, vendo Davydenko e Soderling se classificarem num excelente jogo vencido pelo russo.
Murray, coitado, venceu duas, mas a derrota de Federer para “Delpo” fê-lo cair fora da disputa, por um único game! E ele não pôde, mais uma vez, satisfazer sua torcida, em sua casa...

Delpo foi impressionante; derrubou Verdasco [2-1] e Federer [2-1] e chegou à semifinal, onde encontrou a máquina de bater chamada Robin Soderling. Fizeram uma semifinal fortíssima, com Soderling vencendo o primeiro set [tiebreak], perdendo o segundo [com quebra de saque, para o argentino] e o terceiro [no emocional e novamente no tiebreak]. Foi à final com mais cansaço e tendo algumas horas a menos de descanso do que Davydenko.

Na final, o russo foi o homem de gelo e o próprio preparo físico em pessoa, mas o diferencial foi – sem dúvidas – o preparo emocional de Davydenko aliado à sua técnica. No meio do set final, Delpo teve dois break points, mas o russo defendeu-se com winners e muita coragem, para dominar o placar, quebrar o serviço do argentino e fechar a disputa [só então vibrando muito].

Aonde quero chegar com este longo relato? Aqui: preste atenção no “pouco” e o muito virá. Foi como Davydenko derrotou Soderling, Federer e Del Potro: aos poucos, em cada bola. No tênis, no esporte, cuide de cada bola, de cada saque, voleio e não seja descuidado com a deixadinha [a deixadinha só é diminutivo para quem está na arquibancada; para o jogador, é “deixadona” e “deixadona difícil”, com a alma do tenista – como mostram seus olhos – acompanhando a bola, esperando seu segundo toque no chão adversário]. Guga contou que, em Roland Garros 1998, quando vencia a Marat Safin por dois sets a zero teve, no terceiro set, uma bola fácil e a errou, levando winner do russo, em seguida. Safin ganhou moral com a bola vencedora, conquistou o terceiro set, o quarto e o quinto... Nunca deixe de prestar atenção nas pequenas coisas, no esporte. E não seja confiante ou arrogante; lembre-se: de Brasil e França [tanto na copa do mundo de futebol em 1998, quanto em 2002]; Schumacher x Fernando Alonso; da queda de Kasparov frente a Kramnik e da deste, contra Anand etc.

Na vida, também: cuidado com as desatenções no trânsito, com as “fechadas” e palavrões decorrentes; cuidado com as palavras que você diz e até com seus pensamentos; vigie sua mente. Estude um pouco mais; trabalhe um pouco mais, reflita um bocado a mais. Se você busca o máximo de conquistas, na seara que escolheu e não é um gênio, trabalhe dia-sim-e-dia-também e pronuncie, com sinceridade constante, a sentença de Rui Barbosa: “Em todos os anos de minha vida, o sol nunca teve o prazer de me apanhar na cama.”

Ou não. Você pode não estar nesse barco em busca de excelência; apenas de uma viagem tranquila, sem muito estresse ou cobrança. Se for assim, aproveite a vida; seja como Marat Safin ou Bjorn Borg, Zidane ou Romário. Você, provavelmente, não estará nos livros de história, mas será feliz...

sábado, 3 de outubro de 2009

Rio 2016! Ótimo para o Brasil! Péssimo para o Brasil!

“O Rio de Janeiro continua lindo” e hoje, sexta-feira, 2/10/2009, o hemisfério sul, a América do Sul, o Brasil receberam, pela primeira vez na história deste diminuto orbe, a honra de sediar uma olimpíada {vai começar tudo de novo: a “festa do esporte”, “a celebração da paz” e todas as outras incontáveis frases feitas, para que o mundo sonhe com um fundo de verdade, sobre o qual se deposita um oceano de interesses comerciais, marketing esportivo, inovações químicas fraudulentas, interesses midiáticos sem escrúpulos, para que todo mundo se sinta parte de uma raça superior, destinada a um futuro de beleza física, potência orgânica, pujança mental e saúde eterna – e, naturalmente, as para-olimpíadas ocorrerão depois que as olimpíadas tiverem fim [o que é um absurdo; os jogos deveriam ocorrer conjuntamente, os olímpicos e os para-olímpicos], porque o ser humano não quer ser lembrado de suas mazelas físicas e/ou espirituais e o desfile de membros cotos e limitações orgânicas não é exatamente inspirador, para uma humanidade acostumada e ocultar suas misérias, antes de transmutá-las em virtudes...}.

Para o Brasil e para o mundo, foi algo maravilhoso e terrível, excelente e lastimável; foi a coisa mais certa a fazer e a mais equivocada.

Antes de tudo o mais, uma observação: por que não Madri, com 80% das instalações necessárias já concluídas? Por conta do terrorismo, que já fez centenas de vítimas, na Espanha – alguém dirá: - Mas não já houve olimpíadas em Barcelona?! Sim, mas isto foi antes do “11 de Setembro”, da Guerras do Iraque e Afeganistão, de Osama bin Laden, Al Qaeda, Talibã, George W. Bush... Madri perdeu as olimpíadas não para o Rio de Janeiro, mas para uma terra onde os crimes não têm conotação política e onde a tradição é de paz, apesar de esta “paz” conviver com uma guerra civil constante. A música bem poderia ser “Cidade maravilhosa, cheia de tanto fuzil”...

Uma outra ironia, nesta derrota de Madri: nos últimos dois anos a Espanha tornou-se costumeira em retornar brasileiros[as] dos portões de embarque dos seus aeroportos, negando-lhes entrada no país, argumentando com a necessidade de evitar o ingresso de traficantes e prostitutas {apesar de, no Brasil, uma grande parte dos estrangeiros vir em busca de drogas, prostituição [- Mas é problema de vocês... eles dirão, não sem razão] e jogatina}; agora, terão de se aboletar em seus vôos, pedir visto [nem tão difícil nem humilhante assim; nossas fronteiras são bem mais generosas] e esperar conseguir uma boa reserva [estima-se que haja uma carência de 20.000 vagas, na rede hoteleira carioca] para ficarem – romanos modernos – aboletados em seus camarotes, enquanto a plebe se digladia no circo contemporâneo.

Voltando.

Para o Brasil foi ótimo e para o mundo. Este enxergou, finalmente, que há vida inteligente e rica, abaixo da linha do Equador [embora já saibamos que a FIFA, após as escolhas da África do Sul e do Brasil, se arrependeu do sistema de rodízio de continentes, para as copas do mundo de futebol – tanto, que extinguiu o modelo...] e que o mundo não é apenas Europa, Ásia e América do Norte. Sob este ângulo positivo, foi maravilhoso para o nosso país; ganhamos outra oportunidade de, depois do Pan-Americano de 2007 e da Copa de 2014, aprimorarmos mais ainda a nossa infra-estrutura, melhorar nossa malha viária, despoluir nossas praias e rios, educar nosso povo, cuidar de nossos hospitais [já pensaram, se o Osama bin Laden decide que o Brasil não é tão neutro assim e manda um caminhão de armas químicas e terroristas, para acabar com a festa?...], robustecer nossas instituições, aprimorar nossas universidades e escolas para o fomento do esporte de alto nível ou, mais simplesmente, para a melhoria da qualidade de vida do nosso povo. Esta é a boa ótica, o ângulo otimista. Mas não é o único.

Sob a lente de um realismo cético e, infelizmente, conhecendo a tradição comportamental da parte dominante dos destinos do povo e da nação, podemos imaginar o que pode se dar na mente e no coração dos brasileiros, sobretudo o dos apaniguados do poder, amigos íntimos dos metais e dos papéis-moeda: - Está tudo bem com o Brasil! Vejam só: nos deram uma olimpíada! A violência no Rio não é tanta assim! Ora, Nova York também é violenta, em Tóquio também há mendigos. E a corrupção é um mal do homem; existe em todos os países! E obras de engenharia são assim mesmo: as bolsas oscilam, os preços mudam e o gasto final acaba ficando um pouco acima das projeções iniciais, mas isto é assim mesmo, ora!...

Esse é o lado riscado da moeda [como diria o Harvey Duas-Caras Dent, do ótimo Batman – Dark Knight]: acreditarmos que os problemas de nosso país não são tão grandes assim, que “nunca antes, na história deste país” o Brasil esteve tão bem! O Presidente da República chorou e disse que este era o dia mais feliz de sua vida; e chorou e chorou. Enquanto ele chora de “orgulho de ser brasileiro”, grande parte do povo chora de fome, de doença, de miséria, de abandono, de tragédias nas estradas, nos sinais de trânsito e nos hospitais. Mas isto, isto não faz o presidente chorar. Aliás: ele nem toca no assunto... Deixa isso p’ra lá. Afinal, “o Rio de Janeiro continua lindo”... E não esqueçamos que, mês passado, Lula vetou os limites da lei orçamentária, para os gastos com publicidade oficial do governo. Limite é coisa que Lula não gosta; provam-no os seus 37 ministérios [aliás, há ministros que nunca tiveram uma reunião particular/pessoal/individual com o Presidente Lula, nestes anos todos de governo...] e os cartões corporativos e os gastos sigilosos da Presidência da República.

Esse é o lado ruim da escolha do Rio. E mais: bilhões de reais gastos pelas três esferas do Poder Executivo, para melhorar partes de uma única cidade; a reverberação da política nacional do “pão e circo” [Big Brother/futebol/carnaval/micaretas versus bolsa-escola/bolsa-família etc.], tão combatida pela gente “de esquerda”, antes de se tornar governo. Como se dizia, no tempo do Império: “Nada mais conservador do que um liberal, no governo; nada mais liberal do que um conservador, na oposição”.

Mas eu, espiritualista que sou, prefiro ver as coisas por um ângulo evolucionista: as olimpíadas do hemisfério sul serão um marco na história mundial [dentre as promessas da campanha Rio 2016, está a de plantar 24.000.000 de árvores, no Rio de Janeiro]; o planeta verá a miscigenação única de raças, as fronteiras abertas para todos [palestinos e israelenses, árabes e judeus], o diálogo religioso e ecumênico de todas as crenças de boa índole [cristãos, mulçumanos, budistas, espíritas, teósofos, cientologistas, ateus...], a alegria de um povo que sofre e que não desiste de sorrir/sonhar/amar e que acha que a vida é assim mesmo, como diz o poeta – Mas e a vida? E a vida o que é, diga lá, meu irmão. Ela é a batida de um coração; ela é uma doce ilusão... É a vida. É bonita e é bonita.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Os caminhos das lendas... [ou Federer x Del Potro, US Open 2009].



Até o dia de hoje, somente o prodígio espanhol Rafael Nadal, vencedor de seis Grand Slam [sendo 4 Roland Garros (de 2005 a 2008; em 2009 perdeu nas quartas-de-final para Robin Soderling, que perderia a final, para Roger Federer), 1 Winbledom (2008; sobre Roger Federer, em cinco sets, após mais de cinco horas daquela que é considerada a maior partida de todos os tempos, por ninguém menos que J. McEnroe e Bjorn Borg) e 1 Australian Open (2009; também sobre o semi-deus da Basiléia)] aos 23 anos, havia conseguido vencer o portador do fogo sagrado do tênis Roger Federer, supra sumo da ética desportiva, do cavalheirismo em quadra e fora dela, da elegância, da humildade e da força mental. Somente ele; somente Rafael Nadal.

Hoje, as coisas mudaram um pouco, por conta de um quase prodigioso argentino; um quase desconhecido há um ano, mais ou menos; um quase desengonçado jogador de 1.98m. Pois este quase estabanado tenista derrotou, em dias seguidos, aos atuais segundo e primeiro do ranking mundial; a Nadal (novamente n.º 2 da ATP, após a queda precoce de Andy Murray, diante do croata Cilic – que caiu diante de Del Potro...) derrotou em incontestáveis três sets a zero, por triplo 6x2. Uma humilhação. Hoje, a Federer, ganhou de virada, por três sets a dois, em cerca de quatro horas de duelo, por inesperados 3x6, 7x6, 4x6, 7x6 e 6x2!

No segundo set, Federer sacou para vencer, com 4x5 e abriu 30-0, mas relaxou, levou duas direitas, a quebra e psicologicamente, talvez, o jogo.

É certo que a torcida foi deselegante (muitos argentinos barulhentos, como sempre, mas sem vulgaridades audíveis ou coisas do gênero) e acho até que, fora o jogo em Londres ou Paris, Federer passearia; é certo que a arbitragem não foi da melhores; é insofismável que Del Potro usou a detestável “milonga” argentina. Aliás, a milonga e a arbitragem de pulso fraco tiraram Federer do sério, pela primeira vez, após assumir o trono do tênis profissional e ele, ainda que sentado, disse poucas e boas ao árbitro de cadeira e, se meu inglês não me traiu, até ponderou que o “juiz de cadeira” lhe tirara um set...

Mas não foi só isso. Del Potro jogou um pouco mais, porque teve mais nervos; controlou-se melhor, acreditou em quase todos os instantes que poderia ganhar, cumpriu sua promessa pública da véspera (“Vou lutar por cada ponto, amanhã e, ganhando ou perdendo, este já é o melhor momento da minha vida!”), ainda em quadra, após a vitória sobre Nadal, o Touro Miúra (esperamos que ainda o seja). Assim, acaba de entrar para a história como o segundo ser humano a vencer o maior de todos os tempos, em um final de Grand Slam.

“O que está havendo com Federer?”, perguntarão desavisados. Nada. Qualquer um poderia ter vencido este jogo. Federe relaxou, no segundo set? Sim, mas “Delpo” também o fez, no terceiro, sacando em 4x3. Detalhe: o argentino entregou o terceiro set, com dupla falta!

Em Roland Garros, Robin Soderling não acreditou que poderia vencer RF; em Winbledom, Andy Roddick experimentou do mesmo veneno mental. Por aí vai a lista. Agora, além de Nadal, Federer também terá de temer outro jovem abusado, também usuário de “táticas” irritantes [como demorar a sacar, demorar a desafiar as marcações do árbitro, e até fingir problema físico (como fez contra Murray, no primeiro semestre deste 2009, perdendo aquele jogo/final, assim mesmo), covardia de que Nadal nunca se utilizou].

O suíço não tem mais nada para provar a ninguém e continua jogando tênis “apenas” porque ama o esporte. Já é o melhor de todos os tempos, faz tempo... As únicas coisas que ainda não alcançou foram o ouro olímpico de simples [ganhou o de duplas, em Pequim 2008 (enquanto Nadal venceu o de simples)] e a conquista dos quatro Grand Slam em um mesmo ano [teve três oportunidades, na carreira (Rod Laver fê-lo, em dois anos distintos, sendo o único a consegui-lo em duas oportunidades e com 11 títulos, ao longo da carreira)].

Já em Roland Garros 2009, Delpo fez Federer sofrer e perdeu por 3x2 somente após cerca de quatro horas de jogo duríssimo. Agora, Del Potro vence sua primeira final de Slam, derrotando Nadal na semi e Federer, na finalíssima.

Interessantes as previsões do carismático e experiente Fernando Meligeni, em seu blog:
“Não tenham dúvida que ele vai entrar mais cauteloso que ontem, hoje ele tem muito mais a perder. Muito mesmo.

O jogo promete, é verdade que o Federer nunca perdeu dele e até o massacrou uma vez, mas hoje pode acontecer qualquer coisa. se o argentino jogar firme como vem jogando tem sim suas chances.

Se eu tivesse no vestiário conversando com os outros tenistas eu diria. Se ele quer ter chance vai ter que fazer o jogo ficar dramático, chegar nos 4/4 ou 5/5 da vida. Se ele começar mal e der a chance do Federer se impor e gostar do jogo já era. Não ganha.

O jogo tem tudo para ser decidido pelo que cada um dos jogadores "sacar". Os dois vem se baseando muito na bela performance dos seus saques. Depois disso os nervos e as oportunidades vão aparecer, quem melhor encarar isso. Leva.
Desta vez prefiro não arriscar um vencedor.”


Os redatores do site "Esporte Fino" relembraram a milonga argentina de Delpo:

"Minutos antes, Del Potro havia arrasado o brasileiro Júlio Silva em horário nobre, diante da arquibancada lotada. Julinho chiou, xingou o adversário, que ele acusava de “sorrir maldosamente entre os pontos”, e pediu atendimento médico sem na verdade sentir nenhuma dor. Mas não deu certo. Todos se encantaram com o grandalhão de Tandil, que avançou sem problemas.

- Com que naturalidade bate na bola!, dizia um jornalista especializado.

- Lembra Gustavo Kuerten, complementava o outro.

Mas o que todos concordavam, mesmo, é que ali estava um dos grandes, um futuro Top 10".


Lembra-me até o Guga Kuerten, derrotando Sampras na semi e Agassis na final, em plena Masters Cup de Xangai. O feito de Guga, naturalmente, é maior, já que a Masters Cup reúne os oito melhores do mundo, no ano e já que ninguém, antes de Guga, batera Sampras e Agassis, num mesmo torneio. Aliás, Guga também detém a marca de ter sido o último jogador a eliminar RF em quartas-de-final de Grand Slam; isto em 2004 (de lá para cá, são 22 semi-finais seguidas). Ah, se não fosse aquele quadril machucado do manézinho...

Após o jogo, Del Potro chorou sinceramente e por um bom tempo; Federer parecia calmo, falou tranquilamente e, com a elegância de sempre, afirmou que “Não fiz o meu melhor, mas Del Potro foi o melhor, hoje”. Levou mais uma bandeja de “prata Slam”, para casa (tinha cinco, “presenteadas” por Nadal...).

O jogo era mais importante para Del Potro, no íntimo? Acho que sim. Federer está meio como Alexandre Magno: lamentando não haver quase mais nada para conquistar. Detalhe: Delpo ganhou aproximadamente U$ 2.000.000 (isto mesmo: dois milhões de dólares) pela vitória, mas ninguém pensava nisto, durante o jogo; tenho certeza.

Agora me lembrei (e prometo que é a última lembrança...) de uma frase de um treinador de futebol, antes de uma final da Champions League européia: “É claro que este jogo não é uma questão de vida ou morte... É muito mais do que isso!”

No site oficial do ATP Tour, veem-se as declarações dos magníficos jogadores:

Del Potro: "Well, when I won the second set, I think if I continuing playing same way, maybe I have chance to win. But after, when I lost the third set, going to break up, I start to think bad things, you know. It was so difficult to keep trying to keep fighting. But one more time the crowd and the fans helped me a lot to fight until last point. I think I have to say thank you to everyone for that."

On building a Grand Slam legacy: "I don't know, I just want to live this moment. Of course I will be in the history of this tournament. That's amazing for me. I have new opportunities in the other Grand Slams to win, because if I did here, if I beat Nadal, Federer and many good players, maybe I can do one more time. But of course, will be difficult, because I was so close to lose today."

On a nervous start: "The beginning of the match I was so nervous, I can't sleep last night. I don't take a breakfast today. That's part of the final, you know. But Roger start very good. I start little down. Was bad with my serve, and that's important weapon of my game. When I broke his serve for first time, I start to believe in my game."

After his two double-faults in the second set: "That moment I start to think the final, playing with Roger, the best player of the history, nothing to lose. And be two sets to one down, but I think, okay, you never lose until the last point, so keep fighting. The crowd help me, and they saw my fight in every point. So I think that's help me."

Can he become No. 1?: "Well, I think everything is to learn about this match. I have many things to improve to be better. Of course I would like to be in top 4, top 3, or top 1 in the future. But I have to play like today many, many weeks in the year. If I still working and still going in the same way, maybe in the future I can do."


Federer: "I thought it was a tough match from the start. I think even the first set was, you know, pretty close. I think both getting used to the conditions. It was kind of tough starting around the 4:00 time because the shadows moving in and stuff. I got off to a pretty good start, and had things under control as well in the second set. I think that one cost me the match eventually. But I had many chances before that to make the difference. So it was tough luck today, but I thought Juan Martin played great. I thought he hung in there and gave himself chances, and in the end was the better man."

On coming close to a sixth US Open title: "Five was great, four was great, too. Six would have been a dream, too. Can't have them all. I've had an amazing summer and a great run. I'm not too disappointed just because I thought I played another wonderful tournament. Had chances today to win, but couldn't take them. It was unfortunate."


Bom, foi assim hoje, quando se cruzaram as trilhas das lendas do maior de todos e a de mais um aspirante a sê-lo (o tempo o dirá)...

Terça-feira, 15 de setembro de 2009, 02:42:43hs.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Oscar, sim; mas Ubiratan, antes dele.

Os brasileiros não nos lembramos de nossos heróis; fato inconteste.
Então, segue mais uma lembrança, para quem não sabe [como eu não o sabia, há dez minutos...] sobre a carreira de Ubiratan Maciel, talvez o maior jogador que a seleção brasileira de basquete já conheceu.
Leiamos o ótimo artigo do Marcel de Sousa [aquele mesmo Marcel que, junto com Oscar, Pipoca etc., venceu os USA, no Pan de Indianápolis, em "19ebolinha..."]:

http://databasket.com.br/descricao.asp?NOME=Editorial&IDMATERIA=158
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ubiratan_Pereira_Maciel

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Flávio Canto: heróico ou virtuoso, tanto faz.

A Bíblia diz [não lembro se nos Provérbios, se nos Salmos] que O heroi conquista cidades; o virtuoso conquista a si mesmo.

Alguns atletas conseguem muito dos dois e nesta linha Flávio Canto é um exemplo singular. Sem grandes recursos e com acurada dedicação, o atleta olímpico conduz sério trabalho de educação através do esporte, junto a jovens carentes. Canto deve ser incluído naquelas estirpes a que a vida parece não permitir todas as glórias esportivas ou glórias duradouras [por uma série de razões - o mais das vezes, físicas -, como Guga e Senna], mas que, enquanto seres humanos, honram a espécie, embelezam a ética da raça, exemplificam moralidade, para o mundo, pela sua vida e não por discursos et similia. Vai pelo mesmo caminho de Lance Armstrong, Roger Federer, Raí, Deco e tantos outros que não cito aqui.

Quando um dos seus pupilos [mas acredito que, ouvindo esta frase, Canto a renegasse, asseverando serem os seus alunos pupilos da vida, do destino, de si mesmos] começa a conquistar título, além de qualidade de vida e cidadania, refere-se ao mestre com uma gratidão tocante e inesquecível:

Barrichello e o reino dos talentos.

Dizer que há pilotos ruins, na Fórmula 1, é quase uma contradição em termos. Como um piloto ruim sobreviveria, andando milhares de quilômetros a duzentos, trezentos quilômetros por hora?... Não; não há pilotos ruins, por ali. O que há são os “menos bons” ou nem tão bons, os que não são geniais nem diferenciados, mas que são, sem dúvida, seres humanos de reflexos apuradíssimos, coragem singular, controle emocional especial.

É o caso de Rubens Barrichello. É um piloto ruim? Nunca o foi; está entre os muito bons. E por quais cargas d’água nunca foi campeão mundial? Bom, sobre isto, fico com o que Nelson Piquet disse dele, certa vez: Faz escolhas erradas, no momento de decidir para que equipe irá.

Parece ser verdade.

Quando Rubinho escolheu a Ferrari, Edie Irvine riu largamente e disse que Ele não sabia onde estava entrando... Naquele ano, Irvine poderia ter sido campeão mundial [já que Michael Schumacher estava afastado das duas últimas provas, em razão de um acidente grave], mas a equipe “errou” numa parada e o título ficou com a MacLaren de Mika Hakkinen [se me lembro direito]. Com Rubinho foi a mesma coisa: começava o ano bem e logo caía de produção; o carro “quebrava”, algo dava errado etc. Nos segundos semestres a coisa mudava e ele conseguia andar no mesmo passo de Schumacher, principalmente nos treinos livres [aqueles que não valiam pole]. Coincidência ou não, nos seus anos de Ferrari Rubens sempre teve de conviver com uma cláusula contratual que dizia: quem chegar ao meio do ano com mais pontos, assume o lugar de primeiro piloto, até o resto da temporada. Rubens nunca chegou ao meio do ano perto do alemão, em pontos...

Agora, nós temos a Braw, Janson Button e Rubens Barrichello. Mas nós já passamos do meio do ano...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Para quem gosta de xadrez.

Para quem aprecia a arte da deusa Caissa, vale muito ver o excelente site Chessgames, onde podemos encontrar preciosidades inesquecíveis, como a maravilhosa vitória de Garry Kasparov sobre Veselin Topalov, em Wijk ann Zee 1999...

Abaixo, o mesmo jogo, no youtube.
A partida é considerada, por muitos dos mais abalizados analistas, a melhor partida de todos os tempos, quando o tema é ataque.
Boa aula.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Le Monde sobre Cielo: "espetacular"...

O mundo continua reverenciando o brasileiro - de coração, não apenas de pátria - César Cielo. Vejamos os termos em que o jornal francês Le Monde descreveu o nadador:

"Le nouveau meilleur sprinteur du monde, César Augusto Cielo Filho. À Rome, le Brésilien, qui porte le même prénom que son père, a semblé traverser la piscine comme s’il s’agissait de la fontaine de Trevi, quand ses adversaires donnaient l’impression de remonter le Tibre à contre-courant. Résultat, un doublé 50 - 100 que seuls le Russe Alexander Popov - Rome 1994 et Barcelone 2003 - et l’Américain Anthony Ervin - Fukuoka 2001 - avaient réussi avant lui, et un record du monde du 100m qui ne tombera pas de notre vivant (46′’91). En plus, il est sympathique, spectaculaire et parfaitement anglophone. César Cielo est le Usain Bolt de la natation."

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Um pouco mais de kendo.

Continuando as considerações sobre o caminho da espada, volto ao documentário da BBC [disponível no youtube], para postar os vídeos três e quatro.
Boa aula...



sexta-feira, 31 de julho de 2009

Os que choram [ou a revisão do paradigma masculino].

O choro masculino tem sido, na história da humanidade, sinal de fraqueza, signo da ausência de equilíbrio, sintoma de impotência para superar obstáculos.

Ultimamente, o mundo esportivo tem oferecido a oportunidade a todos os homens, quanto a revermos o paradigma de masculinidade que construímos e em que nos aprisionamos, tornando-nos o sexo que mais morre por infartos e derrames [indícios claros de mal cuidado com as emoções e consigo mesmo].

Federer chorou, ao vencer Roland Garros e havia chorado bem mais, em Wimbledon 2008 e Australian Open 2009, assim como Nadal chorou, ao ser derrotado em outras oportunidades, pelo mesmo suíço. Guga chorou, ao se despedir no Brasil [Costa do Sauípe] e na França [Roland Garros]. Lúcio chorou, ao virar o jogo contra os norte-americanos [final da Copa das Confederações 2009]. Mark Weber chorou, ao vencer seu primeiro GP de F1, após anos de carreira sem glórias. Ninguém são chamou nada disso de fraqueza.

Espero seja a aurora de uma revisão do paradigma masculino que tem imperado neste nosso diminuto orbe, onde a masculinidade desvirtuada resulta em violência doméstica, crimes absurdos contra mulheres e crianças [lembremos as mutilações genitais na África, os estupros legais do regime Talibã et similia] e estúpidas ressurreições das práticas de duelo medieval [os circos de "vale-tudo", os conflitos de gangues de jovens, em Brasilia e tantas capitais e interiores brasileiros].

Em tempos de Código da Vinci, Anjos e Demônios e outras obras do gênero, parece piegas e arriscado falar de Jesus; eu, que não tenho medo de pieguice, continuo achando o rabi galileu a personalidade mais intrigante e superior de que a Terra teve notícia e, agora, me despeço apenas lembrando o seu choro, no jardim do Getsêmani...











Phelps elogia Cielo. E faz muito bem...

Phelps é dono de um sem número de ouros olímpicos; Cielo tem "apenas" um. Phelps sempre teve a melhor estrutura ao seu redor, num país que investe no esporte desde o jardim de infância; Cielo teve - como Guga, Piquet e Senna, os Grael etc. - de se fazer mais ou menos sozinho. Phelps nunca chora por seu país; Cielo nunca consegue não chorar. Phelps parece nadar por si mesmo; Cielo parece nadar por si, pelos pais, pelos amigos, pelo país que só o conheceu agora, nos louros e ouros da vitória.

Phelps elogia Cielo; terminada a final dos 100 metros livre, neste mundial de Roma-2009, Phelps deu entrevista à rede de tevê norte-americana NBC: "Ele é incrível, com certeza o melhor velocista da atualidade" (...). Hoje eu não teria a mínima chance de bater o brasileiro".

Durante a disputa do revezamento 4x100 metros livre no Mundial, Phelps abriu a série para os norte-americanos, enquanto que Cielo o fazia, pelo Brasil; o brasileiro foi bem mais rápido e deixou o supercampeão para trás [ainda que a medalha de ouro tenha ficado com os norte-americanos]. Mas não é por isso que o estadunidense deve elogiar o brasileiro: o que ele deve é a reverência de um ser humano a outro que lhe é superior em coração e ética.

Mas isso é apenas o que eu penso...

terça-feira, 28 de julho de 2009

Inesquecíveis: Lance Armstrong.

Ciclista + câncer + perda de parte do pulmão = fim de carreira...

Se você acredita na equação, errou, como quase todo o mundo, ao analisar o processo de doença e cura por que passou o norte-americano Lance Armstrong. Este moço teve sim seu câncer [ou o gerou - para quem pensa como os esotéricos mais radicais], mas venceu-o, retornou ao ciclismo, vencendo então sete vezes seguidas a Volta da França [mais tradicional prova do ciclismo mundial].

Parou por três anos de aposentadoria; retornou ao Tour de France neste 2009, mas finalizou a magna prova em terceiro lugar, superado pelo fôlego impressionante do espanhol Alberto Contador, bem mais jovem que ele.

Quase virou lenda, o nosso Lance... Mas nem precisava: já o é, faz tempo.

Exemplo de superação, garra, fé [com a licença dos céticos - e frios, de plantão - para os pieguismos...] e alegria.

Um detalhe interessante: vertido ao vernáculo pátrio, Lance Armstrong resulta em braço forte [ou algo próximo]...

Mais importante: a fundação criada pelo mito, para pesquisas e apoio aos portadores de doenças crônicas [sobretudo câncer].



domingo, 26 de julho de 2009

O melhor jogo de todos os tempos...

Caríssimos, eu não estava lá, mas o John McEnroe e o Bjorg Born - entre outros - afirmam que esta foi, provavelmente, a melhor partida de todos os tempos: R. Federer x R. Nadal, na finalíssima de Wiumbledon 2009.

É impressionante a quantidade de lances geniais, inacreditáveis, daqueles que a gente precisa do replay para entender.

O combate dos estilos é outro ponto fulcral; a fleugma de Federer e a fúria de Nadal. O silêncio do tenista da Basiléia e os gritos e gemidos do natural de Manacor...

O que existe entre esses dois jogadores é algo aparentemente inédito, no mundo dos esportes individuais, pois creio que nunca houve dois rivais que realmente, verdadeiramente, sinceramente e publicamente admirassem tanto um ao outro e gostassem tanto um do outro. Prost e Senna apenas se toleravam e muito mal; Tyson e Hoylfield, nem deveriam ser citados, aqui - muito mais por culpa do primeiro -; mas Ali e Frazier até que o podem, com certa justiça. Talvez Jordan e Magic Johnson tenham tido um pouquinho disto. Naturalmente, não podemos esquecer os já citados McEnroe e Borg. Garry Kasparov e Anatoly Karpov também tiveram momentos difícies entre si, mas ano passado, quando Kasparov foi preso pelo governo russo de Vladimir Putin, Karpov não titubeou e foi em busca de socorrer o antigo rival. Veselin Topalov e Vladimir Kramnik são rivais de quase morte e o mesmo só não aconteceu entre Kramnik e Viswanathan Anand em razão de este demonstrar sua maior moralidade, elegância e - confessemos - espiritualidade de indiano.

Quem souber de alguma outra rivalidade tão elegante e terna, que mo diga. Após a partida em Wimbledon 2008, é possível vermos a emoção de ambos os jogadores, mas o cuidado com a tristeza do outro, para não aumentar a dor da perda.

E este é um jogo que ainda está para ser reeditado, já que Nadal não disputou o torneio deste 2009 e Federer venceu Rolang Garros e Wimbledon. 2010 promete e demais...

Vale - e demais - a pena assistir [são duas partes].







E, depois de tudo, os dois ainda iriam se encontrar em 2009, para o Australian Open, onde ficou ainda mais evidente o respeito e o afeto de um pelo outro. Uma lição de ambos...

Inesquecíveis: Mohamed Ali...

Inaugurando a categoria "gente inesquecível" deste blog, começo pelo inolvidável Mohamed Ali, ou Cassuis Clay.

Dúvidas há se era apenas um arrogante de raro talento, um covarde que não ousou lutar por seu país, ou um ser humano de garra e exemplo de superação. Aos psicólogos e historiadores, deixo a tarefa da crítica. A nós, amantes do esporte e que "não temos nada a ver com isso", apenas a lembrança dos seus tempos de rei dos ringues...

No segundo dos vídeos, Will Smith e Mohamed Ali falam sobre o desejo de vingança dos EUA em relação ao mundo islmâmico, após os atentados de 11 de setembro. Uma pérola.



domingo, 5 de julho de 2009

Federer, serenidade, autoconfiança e trabalho duro.




Roger Federer acaba de vencer seu sexto Wimbledon, que é também seu 15º título de Grand Slam, com o que supera os 14 triunfos de Pete Sampras [que esteve presente à quadra central do All England Club e assistiu, com muitos sorrisos e breves comentários com sua acompanhante - aliás, bem ali ao lado dele estavam também Rod Laver e Bjorn Borg; Russel Crow, Woody Allen, Sir Alex Ferguson e outros ilustres estiverem, in loco, prestigiando o combate do suíço contra o norte-americano], além do fato de que Sampras nunca venceu - nem mesmo chegou à final de Rolang Garros - no saibro sagrado onde nomes como Gustavo Kuerten [tri-campeão do aberto francês] brilharam tanto.

Federer foi mais uma vez excelente; não diria que foi estupendo ou magnífico hoje, mas foi o grande Federer de sempre: sereno, aguerrido - uma garra suave, fleumática, longe da garra de vida ou morte de Rafael Nadal -, perseverante e decisivo, nos momentos psicológicos mais delicados da partida, como no tie-break do segundo set, em que virou, após estar perdendo por 6-2; perdesse este segundo set e daria adeus ao título, com certeza, apesar de sabermos que, de seis jogos em que sofreu o 0x2, virou e venceu em 5 deles!...

Roddick fez o que pôde e mais do que o que pôde, lutou e levou o jogo ao quinto set, tendo quebrado o serviço do suíço em duas oportunidade, no primeiro e quarto sets. Na única vez em que foi quebrado, perdeu o jogo, num quinto set de uma hora e trinta e cinco minutos, finalizado em inacreditáveis 16 a 14!

A vitória de Federer nos convida às lições melhores do esporte: ter garra, trabalhar sempre, confiar em si mesmo e, nos momentos mais delicados, saber manter a calma, ter equilíbrio emocional, entendendo que a vitória é mais fácil, quando se tem serenidade para aceitar o resultado que a vida escolher, após termos feito tudo, tudo o que poderíamos ter feito...

E, em sua casa, tenho certeza que Rafael Nadal sorriu - entristecendo-se um pouco mais depois, por sua lesão -, ao ver Roger quebrar mais um recorde mundial. Diga-se, ainda que no discurso de agradecimento, Federer lamentou a ausência do atual número um do mundo e tentou consolar Roddick, com o seu próprio exemplo de superação; o norte-americano, ainda chorando, meio que recusou a gentileza e, com certo amargor na voz, afirmou já conhecer o sabor da derrota em Wimbledon.

Sampras falou sobre o triunfo e o vencedor: "Federer já era uma lenda e agora virou um ícone. Ele conseguiu 15 Majors e isso é muito trabalho. Federer é um crédito para o tênis", disse o heptacampeão de Wimbledon; e falou mais: "Os criticos dizem que Nadal ganhou do Federer algumas vezes nos Majors, mas Federer ganhou todos e ainda ganhará mais. No meu livro, Federer é o melhor".

Rod Laver, dono de 12 Slams e único ser humano a vencer - e por duas vezes - todos os Slams, em um mesmo ano [1962 e 1969] sentenciou: "É fantástico como Federer dá excelentes golpes em posições impossíveis. É um feito incrível ele ter chegado a 15 Slams".

Nosso querido brasileiro [nascido argentino] Fernando Meligeni, disse em seu blog: "Não sei se vocês perceberam mas eu falei mais até agora do americano do que do vencedor do jogo. Do novo número 1 do mundo, do maior vencedor de grand slam da história, do tenista mais completo que eu vi jogar e agora com uma qualidade mais. O tenista com a cabeça mais forte em situações complicadas que eu já vi. [] Hoje valia muito o jogo, todos esses títulos que ele ganhou estavam em jogo na final de hoje. Mais ainda, o Sampras estava sentadinho lá vendo tudo. Não adianta dizer que isso não pressiona ou que o jogador nem sente isso. MENTIRA. O jogador sente a pressão, sente a importância e a grande maioria dos “mortais” não conseguem aguentar essa pressão. [] O Federer consegue, consegue isso e muito mais. [] Só tenho a agradecer. Hoje o mundo vai falar sobre tênis. Todos os meios de comunicação vão falar que o Federer é o maior de todos os tempos sem dúvida nenhuma. Melhor que isso, a conquista aconteceu em um jogo épico e contra um adversário incrível. [] Obrigado Andy. [] Sem palavras Roger, você é o cara."

Quase cinco horas de jogo, o mais longo quinto set de uma final de Slam; um dia para ser lembrado por quem gosta de esporte e humanidade...

Federer quase não tem mais perguntas a responder aos apreciadores do tênis, a não ser uma ou duas: se consegue vencer Rafael Nadal, novamente na grama de Wimbledon ou, pela primeira vez, no saibro de Roland Garros. 2010 vai ferver; Nadal retorna de lesão e estará com a faca nos dentes, para reconquistar tudo aquilo que lhe foi tirado pelas lesões, por Robin Soderling [sim, não nos esqueçamos de seus incontáveis winners incríveis, contra o rei do saibro, em Roland Garros deste ano corrente] e pelo fôlego e técnica do maduro e sereno [agora marido e, logo mais, papai] R. Federer.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Kendo e iaijutsu: mais que esportes...

Tudo, na cultura japonesa e oriental, parece ter um significado oculto, um algo a mais, um não sei o que de místico, de secreto e, ao mesmo tempo, límpido, claro, simples.
Assim é com o ritual do chá, com yoga, tai-chi chuan, com o origami e as artes marciais em geral; aqui, especificamente, destaco o kendo, o kenjutsu e o iaijusu: são muito mais do que esportes; são "vida, vida em abundância", para quem sabe vê-los e senti-los.
Os vídeos seguintes são as duas primeiras partes de documentário da BBC, da década de 1980 e valem a pena o tempo empregado na atenção.
Boa leitura.
Banzai...



segunda-feira, 29 de junho de 2009

Federer, Guga, Hamilton, Anand, Phelps e o passado recente.

O tempo não para - sacramentou o Cazuza [uma pena o apego dele por drogas...] - e este blogueiro, saudoso de algumas coisas importantíssimas no esporte recente, lembra apenas algumas delas, antes de seguir sua viagem de postagens.
Surgiu a precocidade genial de Lewis Hamilton, assombrando o mundo do automobilismo e tirando um título de F. Massa, em pleno Interlagos lotado [e com a chuva divina, que beatificou Ayrton Senna].
Gustavo Kuerten abandonou a carreira profissional, onde as lesões o impediram de ser ainda mais magnífico; como justa recompensa - entre outras -, recebeu um convite especial e um pedaço da quadra de Roland Garros. Lendário e emocionante.
Michael Phelps quebrou o recorde de Spitz e venceu não sei quantos ouros, em não sei quantas provas de natação, para se tornar "o maior atleta de todos os tempos" em Pequim e, semanas depois, ser flagrado consumindo maconha e - ao meu ver e no de alguns dos seus patrocinadores - se tornar um dos piores exemplos para a juventude. Por isso, nada de vídeos dele, aqui...
Roger Federer alcançou Pete Sampras, com 14 grand slans e tornou-se, em Roland Garros 2009, o maior de todos os tempos. Nadal não chegou à final, mas todos sabem que até ele ficou feliz por Roger...
O indiano Vishwanatan Anand tornou-se campeão mundial de xadrez, em 2007 e, em 2008, derrotou - humilhou - Vladimir Kramnik, pela defesa do título mundial. Agora, Anand - o único ser humano a ser campeão mundial de xadrez em todos os formatos de disputa - enfrentará Veselin Topalov, também pelo título mundial. Vale a pena ver.
É isso.
Vamos adiante com o tempo...
Vale sempre relembrar.







Copa das Confederações. Final.











O esporte é mesmo mágico. Quem diria que os norte-americanos fariam um jogo tão difícil, contra os penta-campeões mundiais...

Mas fizeram. E o drama foi imenso, ainda mais quando o segundo gol brasileiro não foi validado, já que árbitro e auxiliar não perceberam que a pelota entrara na meta - o que nos faz pensar até quando a FIFA será arredia ao uso da televisão e tecnologias de ponta, na aferiçao dos lances.

Mas é isso: o Brasil mostrou garra, coragem, personalidade, emoção, humildade, perseveranã. Ou seja: tudo o que faltou, nas duas últimas vezes em que, encontrando a França de Zidane, voltamos para casa envergonhados e diminuídos...

Parabéns Dunga e todos. Como diria o outro - Nélson Rodrigues, creio -, "a seleção é a pátria de chuteiras."







Que seja sempre assim [lembrando, com o Oswaldo Montenegro: "Mas sempre não é todo dia."...