quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Anand x Gelgand x FIDE: disputa pelo título mundial de xadrez transferida para a Rússia!

A Federação Internacionacal de Xadrez Profissional-FIDE transferiu [ao que parece, algo arbitrariamente, como tem sido do seu feitio, nas últimas duas ou três décadas] a disputa pelo título mundial de xadrez profissional para a Rússia.
Anteriormente, a FIDE havia declarado aceitar a proposta e as garantias financeiras dadas pela Índia.
Agora, com a aceitação da proposta russa, Anand perderá a vantagem de "jogar em casa", contra o GM de Israel.
Aposto que Danailov/Topalov e outros managers/GMs vão ver uma manobra russa, por trás da mudança [quem sabe para privilegiar uma possível volta de Kramnik?...]
Anand, com a elegância que lhe é característica, não entrou em polemicas; vejamos o que ele disse:

"Eu acho que no final, tudo depende da sua forma e de quão bem você joga.  Também uma vez que o match começa, de algum modo apenas o seu oponente é visível. Eu tenho jogado em Moscou em muitas ocasiões e tenho sempre tido memórias agradáveis, especialmente a de jogar ante uma platéia apreciadora e entendida. (...) Eu me lembro de jogar contra Tkachiev em 2001 em Moscou e de que, durante o jogo, a audiência caiu em aplausos. Este, para mim, foi um dos momentos mais realizadores, como jogador de xadrez. (...) Ainda é cedo para pensar sobre isto. Mas um match é sempre algo onde seu oponente se torna 100% de seu espaço mental."

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Intrigantes acasos do esporte e da vida pós-tragédias.






Ontem (domingo, 17 de julho de 2011), a seleção japonesa de futebol feminino conseguiu um imenso (e no qual ninguém apostava) triunfo: derrotou a fortíssima seleção norte-americana (a mesma que derrotou o selecionado feminino brasileiro, nas quartas de finais, nas cobranças de tiro livre direto) e sagrou-se campeã mundial de futebol.
Por uma dessas coisas que a gente não consegue explicar, lembrei-me de duas outras equipes que conseguiram feitos memoráveis, após sua terra natal passar por uma grande tragédia natural ou por um difícil período de reconstrução social/política:
1 - o time do New Orleans, vencendo o Super Bowl, após a terrível passagem do furação "Katrina";
2 - os Springboks, vencendo a Copa do Mundo de Rugby, após o fim (jurídico/legal) do "Apartheid" na África do Sul (feito tão difícil que resultou no belíssimo "Invictus" - jóia cinematográfica do talentosíssimo Clint Eastwood).
Agora, após o terremoto (9 graus na escala Richter), um tsunami que devastou grande parte do país e um vasamento nucleares de dois ou três reatores da maior usina do Japão, as meninas de olhinhos puxados conseguem esta proeza absurda.
A meio-campista japonesa Homare Sawa (35 anos!) foi eleita a melhor jogadora do Mundial e disse que nem mesmo a equipe esperava o título: "Viemos disputar uma medalha, mas nunca imaginei que iríamos vencer. Também não imaginava ganhar a Chuteira de Ouro além de ser campeã do mundo", declarou (detalhe, era sua última e quarta copa do mundo. Antes desta, foram quatro fracassos consecutivos).



Japonesas levantam a taça do Mundial feminino sob chuva de papel

E só posso chegar a uma conclusão: Deus (ou a Vida) acompanha o esporte...

Em tempo: a taça do Super Bowl, adiante.



E Nelson Mandela entregando a taça da Copa ao capitão dos Springboks (na vida real: 1ª foto; no cinema: 2ª foto, com Morgan Freeman e Matt Damon):



quarta-feira, 13 de julho de 2011

Anand e Gelfand duelarão em Chennai/Índia, de abri a maio de 2012, pelo título mundial de xadrez profissional.

 
O "Chess World Championship match" entre o reinante campeão Viswanathan Anand e o desafiante GM de Israel, Boris Gelfand, ocorrerá [a menos que aconteça uma daquelas - sempre possíveis, atualmente - mudanças repentinas de local/regras/prêmios/datas...] em Chennai, entre abril e maio de 2012.
Estão todos apostando em Anand, mas Gelfand tem suas chances, naturalmente.
Um "detalhe": as garantias econômicas para o duelo já estão na casa dos 4,5 milhões de euros... Os prêmios devem ficar por aí, nesta dimensão.

Federer aplicará R$ 5.000.000,00 na educação de 54.000 crianças do Malauí.

Roger Federer Gear
 
O suíço Roger Federer lançou hoje um projeto de R$ 5 milhões para ajudar crianças matriculadas em escolas em Malauí, na África. Federer pretende apoiar cerca de 54 mil estudantes pelos próximos dez anos. O projeto está sendo regido através de sua fundação.

"Como o pai de duas meninas pequenas, eu observo todos os dias como crianças aprendem rápido se o ambiente as estimula", disse o tenista. "É um grande privilégio para mim e para minha fundação ajudar as crianças de Malauí atingirem o seu potencial."

A fundação planeja construir 80 centros para cuidar de crianças de três a cinco anos – incluindo salas de aula, equipamentos, áreas para brincar e refeições. Quase metade das crianças com menos de cinco anos de Malauí são cronicamente mal-nutridas e mais de três milhões das crianças com menos de oito anos não estão na escola.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

"Faltaram Neymar e Ganso" parece meio exagerado...

 
O domingão passou modorrento e o Brasil [com três atacantes e um volante bem ofensivo: Alexandre Pato, Neymar, Robinho e Paulo Henrique Ganso] não conseguiu fazer gol na fraca seleção de Hugo Chavez. O a ) com gosto de beijo em testa suada, como diria o cearense Alan Neto...
 
E ainda tem quem diga que, à seleção de Dunga, faltaram apenas Neymar e Ganso. Antes da Copa 2010, até Lula pediu [e contabilizou uns votinhos para Dilma] a dupla santista, como se profeta o fosse, em terras verdes de grama.
 
 
Tenho minhas [e muitas] dúvidas se teria sido a salvação da lavoura.
A mim, me parece que o time de Mano Menezes não tem nem a garra daquele de Dunga, nem o comprometimento. Talento, a jogadores brasileiros, nunca faltou... Mas Robinho, Neymar e Daniel Alves parecem mais preocupados com o penteado do que com o resultado.
 
 
 

Magnus Carlsen retorna ao posto de #1 do ranking mundial de xadrez profissional.


O prodígio norueguês Magnus Carlsen continua assombrando o mundo enxadrístico: agora ele chega a 2821 pontos de rating, dominando novamente o topo do Olimpo e aproximando-se dos absurdos 2850 pontos que Garry Kasparov conseguiu, no auge de sua carreira estupenda.
Vamos ver até onde a nova lenda pode chegar [qualquer dia desses, vai conseguir uma entrevista pessoal com a deusa Caissa]

Um novo rei? "É você que ama o passado e que não vê que o 'Novak' sempre vem"...

 The title is Djokovic's third Grand Slam crown and first outside of Melbourne. (AP Photo)
 
Já dizia o outro: "o novo sempre vem"...
Nos últimos sete anos do tennis masculino profissional, apenas dois tenistas [quase semideuses] foram os únicos a ocupar [alternando-se, por duas vezes, cada um] o posto de #1 do ranking oficial: o maduro Roger Federer [o semideus da sutileza, técnica e elegância] e o jovem adulto Rafael Nadal [o semideus da garra, tática e força mental].
Agora, aquele que era chamado de "Djoker" [brincalhão/Coringa] do tênis, resolveu amadurecer a cabeça, treinar feito um cavalo, parar de imitar os outros e tornar o trinômio "preparação mental+paciência+coragem" um fator determinante na sua rotina de preparação e no seu modo de jogar.
Resultado? Uma única derrota, em sete meses [na semifinal de Roland Garros, diante de um determinado Roger Federer, num dia de mágica perfeita, quando Federer volta a ser aquele avatar do "tênis-arte"], oito títulos ATP [sendo quatro vitórias sobre Rafael Nadal, em finais de ATP 1000! E duas delas, no saibro!], uma Davis Cup [final contra a forte seleção francesa] e mais uma série de marcas que a minha memória não registrou, ainda.
Definitivamente, Novak Djokovic chegou ao topo do Olimpo, onde somente os grandes chegam e onde apenas os magníficos permanecem.
Porque chegar no topo é uma coisa: permanecer lá é outra. Hoje, apenas Federer e Nadal estão por lá e na ativa e os demais, os que chegaram antes [Laver, Nastase, Borg, McEnroe, Lendl, Becker, Agassis, Sampras], estão todos olhando com atenção, para ver se Novak vai permanecer ou se está apenas de passagem.
Acho que ele vai cavar um lugar entre as lendas, mesmo: 24 anos, uma Davis Cup, quase uma dezena de títulos ATP 1000, 3 majors - sendo um Wimbledon, sobre o então bicampeão Nadal - e uma saúde aparentemente de ferro. E mais: carisma, boa ética, bom relacionamento com colegas de quadra e com a arbitragem.
Acho que vai longe.
 
 The loss is Nadal's first in a Grand Slam final to a player other than Roger Federer. (AP Photo)
 
 Both men held serve until the 10th game of the opening set, when Djokovic broke for first blood. (AP Photo)

Petra Kvitova: menos barulho e mais tênis!

 Sharapova, oft-maligned for her serving troubles, surrendered the break with two consecutive double faults. (AP Photo)
 
Não é de hoje que os gritos [sim, gritos: já nem são mais gemidos, grunhidos etc.] de algumas tenistas do circuito profissional feminino têm tirado a paciência de muita gente que acompanha o tennis.
A campeã do aburdo sonoro é ninguém menos que Maria Sharapova, cujos berros atingem 102 decibéis! É mais barulhento que uma britadeira! E não estou fazendo graça: é mais barulhento mesmo.
Na final de Wimbledon 2011, a rica, esbelta/modelo, boa de marketing e gasguita russa encontrou-se com a [até hoje] pobre, feia [para os padrões atuais/midiáticos] e cheia de uma simplicidade quase brejeira Petra Kvitova.
A diva russa brigava [ou melhor: gritava] pelo bicampeonato no All England Club, depois de sete anos longe da final feminica; a theca, em sua primeira final de um torneio do grand slam, procurava contradizer todas as expectativas do senso comum, para sagrar-se vitoriosa naquele que é considerado o mais difícil dos torneios [em sua taça de campeão, Wimbledon escreve: "Campeão do Mundo"... É mole?].
Para alegria de quem gosta mais de tênis do que de gritos, Kvitova venceu, por dois sets a zero, como se os berros da russa não lhe incomodassem. Deu aula de controle emocional e de concentração.
Foi lindo...
Parabéns à nova estrela do rol seleto dos vencedores de majors.
 
 Though she wasn't automatic on serve by any means, Kvitova held with greater regularity and took a 5-3 second-set lead. (AP Photo)  

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O dilema da emoção.

O dilema da emoção...

Revendo os "highlights emocionais" de Roland Garros 2011, fico espantado pela obviedade: Roger Federer é o que menos aparece, em tais destaques. Digo "obviedade", porque todo amante (ainda que inconstante) de tênis (seja ou não também fã do suíço) sabe que Federer é e busca ser o próprio "mister nice guy": contido, seleto quanto às emoções que demonstra, bem pouco afeito às explosões emocionais (uma exceção rara é importantíssima, na carreira de RF: aquela breve discussão com o juiz principal, na final do USO 2009, contra Juan Martin Del Potro, reclamação em que Federer se permitiu até mesmo alguns palavrões, no "diálogo" com o árbitro de cadeira) de seus colegas de esporte.

Penso, muitas vezes, que esta opção de Federer pela ocultação - e, muitas vezes, negação - de suas emoções o fez e o faz perder jogos que, com um pouco mais de entrega, de aceitação de sua verdade emocional, seria um objetivo perfeitamente realizável. Parece-em com a lição de Ranato Russo: "toda dor vem do desejo de não sentirmos dor". Federer teve quase todas as suas conquistas com uma margem de conforto tão considerável, em quadra, que nunca teve realmente de lidar com (melhor seria dizermos "de duelar", de confrontar) as emoções da adversidade, nascidas de uma evidente ou aparente da superioridade esportiva/física/mental/emocional do oponente (lembremos o que ele protagonizou, contra Pete Sampras, em sua primeira final de Wimbledon; aliás, também sua primeira vez, na grama central do slam inglês!). Para Roger, estar em situação de dificuldades, em quadra, é tão raro, que quando se vê diante de tal desafio surge-lhe na alma todo um conjunto raro de emoções que não lhe são companheiras cotidianas, gerando uma zona de desconforto emocional e mental, em relação à qual ainda não se decidiu, quanto ao "modo de gerenciamento"... E segue perdendo partidas em que se vê em tal situação (na quase totalidade das - raras - vezes, contra um certo espanhol, nascido em Manacór).

No exato oposto das evasivas emocionais do suíço, temos o touro miúra, o "animal Nadal" (como diz o outro - Paulo Cleto), para quem não existe jogo sem entrega, sem mostrar o quanto é sacrificante cada ponto, o quão tenso são os momentos em que o risco da derrota esteja presente, o quanto vale, para ele, o êxito daquele momento do jogo, da carreira, da vida.

Todo esportista (e todo ser humano!) tem ou terá (no início, no meio ou até no fim de sua carreira - do que são prova os atletas que "desabrocham" tardiamente) de enfrentar o dilema da abordagem e do "destino" que dará às suas emoções: como lidará com elas? Mostrá-las-á a todos? Irá mascará-las ou apenas deixá-las quietas (sim, há uma diferença abismal entra as duas opções), dentro de si, enquanto desempenha sua arte? Pode demorar uma eternidade para que o esportista descubra ou reconheça esta verdade: que não pode negar sua natureza essencial, sua essência emocional profunda, e que tem de lidar com ela com sinceridade, com reconhecimento do que ele é e de como sente as coisas.

Nadal é absolutamente verdadeiro, para consigo mesmo, quanto às suas emoções e as deixa bastante evidente. Nadal me lembra Garry Kasparov, o enxadrista que era todo um calhamaço de emoções, no tabuleiro, mas que dominava a quase todos, com seu amálgama de sentimentos e determinação. Federer, me parece (naturalmente, posso entar enganado) negar o "monstro emocional" dainte do qual se vê, nas suas mais recentes disputas de majors (e é uma sequência que poderíamos considerar iniciada em Wimbledon 2008 ou antes, em Roland Garros 2008, naquela fatídica final em que Nadal o varreu e parte do público o vaiou). Nesta linha, Federer me lembra o enxadrista Anatoly Karpov, o célebre rival do início da carreira de Kasparov e de quem este tomou (e defendeu com êxito, em outras duas oportunidades) tanto o posto de número 1 do ranking mundial quanto a coroa de campeão mundial de xadrez profissional). Karpov era o "peixe frio computadorizado" (como um de seus contemporãneos e parte da imprensa o apelidaram), mas sua frieza não era a mesma, quando enfrentava Kasparov: Karpov tentou (ao meu ver) não apenas esconder, mas negar as emoções que os duelos contra Kasparov lhe causavam: perdeu todos os duelos mais importantes e nunca retormou a coroa de campeão...

Em todos os tempos e em todas as modalidades, vemos rotineiramente esse embate dos opostos: A. Senna e A. Prost; Mohamed Ali e Joe Frazier (também George Foreman) ou Tyson versus Evander Holyfield; Capablanca contra Alekhine ou Bob Fischer versus Boris Spassky.

Entre essas duas lendas atuais, Nadal e Federer, se passa coisa semelhante e, até agora, quem tem levado vantagem é o mais transparente, intenso, apaixonado e "leal consigo mesmo", quando o sangue começa a ferver dentro de si.