"Eu acho que no final, tudo depende da sua forma e de quão bem você joga. Também uma vez que o match começa, de algum modo apenas o seu oponente é visível. Eu tenho jogado em Moscou em muitas ocasiões e tenho sempre tido memórias agradáveis, especialmente a de jogar ante uma platéia apreciadora e entendida. (...) Eu me lembro de jogar contra Tkachiev em 2001 em Moscou e de que, durante o jogo, a audiência caiu em aplausos. Este, para mim, foi um dos momentos mais realizadores, como jogador de xadrez. (...) Ainda é cedo para pensar sobre isto. Mas um match é sempre algo onde seu oponente se torna 100% de seu espaço mental."
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Anand x Gelgand x FIDE: disputa pelo título mundial de xadrez transferida para a Rússia!
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Intrigantes acasos do esporte e da vida pós-tragédias.
Ontem (domingo, 17 de julho de 2011), a seleção japonesa de futebol feminino conseguiu um imenso (e no qual ninguém apostava) triunfo: derrotou a fortíssima seleção norte-americana (a mesma que derrotou o selecionado feminino brasileiro, nas quartas de finais, nas cobranças de tiro livre direto) e sagrou-se campeã mundial de futebol.
Por uma dessas coisas que a gente não consegue explicar, lembrei-me de duas outras equipes que conseguiram feitos memoráveis, após sua terra natal passar por uma grande tragédia natural ou por um difícil período de reconstrução social/política:
1 - o time do New Orleans, vencendo o Super Bowl, após a terrível passagem do furação "Katrina";
2 - os Springboks, vencendo a Copa do Mundo de Rugby, após o fim (jurídico/legal) do "Apartheid" na África do Sul (feito tão difícil que resultou no belíssimo "Invictus" - jóia cinematográfica do talentosíssimo Clint Eastwood).
Agora, após o terremoto (9 graus na escala Richter), um tsunami que devastou grande parte do país e um vasamento nucleares de dois ou três reatores da maior usina do Japão, as meninas de olhinhos puxados conseguem esta proeza absurda.
A meio-campista japonesa Homare Sawa (35 anos!) foi eleita a melhor jogadora do Mundial e disse que nem mesmo a equipe esperava o título: "Viemos disputar uma medalha, mas nunca imaginei que iríamos vencer. Também não imaginava ganhar a Chuteira de Ouro além de ser campeã do mundo", declarou (detalhe, era sua última e quarta copa do mundo. Antes desta, foram quatro fracassos consecutivos).
E só posso chegar a uma conclusão: Deus (ou a Vida) acompanha o esporte...
Em tempo: a taça do Super Bowl, adiante.
E Nelson Mandela entregando a taça da Copa ao capitão dos Springboks (na vida real: 1ª foto; no cinema: 2ª foto, com Morgan Freeman e Matt Damon):
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Anand e Gelfand duelarão em Chennai/Índia, de abri a maio de 2012, pelo título mundial de xadrez profissional.
Federer aplicará R$ 5.000.000,00 na educação de 54.000 crianças do Malauí.
"Como o pai de duas meninas pequenas, eu observo todos os dias como crianças aprendem rápido se o ambiente as estimula", disse o tenista. "É um grande privilégio para mim e para minha fundação ajudar as crianças de Malauí atingirem o seu potencial."
A fundação planeja construir 80 centros para cuidar de crianças de três a cinco anos – incluindo salas de aula, equipamentos, áreas para brincar e refeições. Quase metade das crianças com menos de cinco anos de Malauí são cronicamente mal-nutridas e mais de três milhões das crianças com menos de oito anos não estão na escola.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
"Faltaram Neymar e Ganso" parece meio exagerado...
Magnus Carlsen retorna ao posto de #1 do ranking mundial de xadrez profissional.
O prodígio norueguês Magnus Carlsen continua assombrando o mundo enxadrístico: agora ele chega a 2821 pontos de rating, dominando novamente o topo do Olimpo e aproximando-se dos absurdos 2850 pontos que Garry Kasparov conseguiu, no auge de sua carreira estupenda.
Um novo rei? "É você que ama o passado e que não vê que o 'Novak' sempre vem"...
Petra Kvitova: menos barulho e mais tênis!
quarta-feira, 8 de junho de 2011
O dilema da emoção.
O dilema da emoção...
Revendo os "highlights emocionais" de Roland Garros 2011, fico espantado pela obviedade: Roger Federer é o que menos aparece, em tais destaques. Digo "obviedade", porque todo amante (ainda que inconstante) de tênis (seja ou não também fã do suíço) sabe que Federer é e busca ser o próprio "mister nice guy": contido, seleto quanto às emoções que demonstra, bem pouco afeito às explosões emocionais (uma exceção rara é importantíssima, na carreira de RF: aquela breve discussão com o juiz principal, na final do USO 2009, contra Juan Martin Del Potro, reclamação em que Federer se permitiu até mesmo alguns palavrões, no "diálogo" com o árbitro de cadeira) de seus colegas de esporte.
Penso, muitas vezes, que esta opção de Federer pela ocultação - e, muitas vezes, negação - de suas emoções o fez e o faz perder jogos que, com um pouco mais de entrega, de aceitação de sua verdade emocional, seria um objetivo perfeitamente realizável. Parece-em com a lição de Ranato Russo: "toda dor vem do desejo de não sentirmos dor". Federer teve quase todas as suas conquistas com uma margem de conforto tão considerável, em quadra, que nunca teve realmente de lidar com (melhor seria dizermos "de duelar", de confrontar) as emoções da adversidade, nascidas de uma evidente ou aparente da superioridade esportiva/física/mental/emocional do oponente (lembremos o que ele protagonizou, contra Pete Sampras, em sua primeira final de Wimbledon; aliás, também sua primeira vez, na grama central do slam inglês!). Para Roger, estar em situação de dificuldades, em quadra, é tão raro, que quando se vê diante de tal desafio surge-lhe na alma todo um conjunto raro de emoções que não lhe são companheiras cotidianas, gerando uma zona de desconforto emocional e mental, em relação à qual ainda não se decidiu, quanto ao "modo de gerenciamento"... E segue perdendo partidas em que se vê em tal situação (na quase totalidade das - raras - vezes, contra um certo espanhol, nascido em Manacór).
No exato oposto das evasivas emocionais do suíço, temos o touro miúra, o "animal Nadal" (como diz o outro - Paulo Cleto), para quem não existe jogo sem entrega, sem mostrar o quanto é sacrificante cada ponto, o quão tenso são os momentos em que o risco da derrota esteja presente, o quanto vale, para ele, o êxito daquele momento do jogo, da carreira, da vida.
Todo esportista (e todo ser humano!) tem ou terá (no início, no meio ou até no fim de sua carreira - do que são prova os atletas que "desabrocham" tardiamente) de enfrentar o dilema da abordagem e do "destino" que dará às suas emoções: como lidará com elas? Mostrá-las-á a todos? Irá mascará-las ou apenas deixá-las quietas (sim, há uma diferença abismal entra as duas opções), dentro de si, enquanto desempenha sua arte? Pode demorar uma eternidade para que o esportista descubra ou reconheça esta verdade: que não pode negar sua natureza essencial, sua essência emocional profunda, e que tem de lidar com ela com sinceridade, com reconhecimento do que ele é e de como sente as coisas.
Nadal é absolutamente verdadeiro, para consigo mesmo, quanto às suas emoções e as deixa bastante evidente. Nadal me lembra Garry Kasparov, o enxadrista que era todo um calhamaço de emoções, no tabuleiro, mas que dominava a quase todos, com seu amálgama de sentimentos e determinação. Federer, me parece (naturalmente, posso entar enganado) negar o "monstro emocional" dainte do qual se vê, nas suas mais recentes disputas de majors (e é uma sequência que poderíamos considerar iniciada em Wimbledon 2008 ou antes, em Roland Garros 2008, naquela fatídica final em que Nadal o varreu e parte do público o vaiou). Nesta linha, Federer me lembra o enxadrista Anatoly Karpov, o célebre rival do início da carreira de Kasparov e de quem este tomou (e defendeu com êxito, em outras duas oportunidades) tanto o posto de número 1 do ranking mundial quanto a coroa de campeão mundial de xadrez profissional). Karpov era o "peixe frio computadorizado" (como um de seus contemporãneos e parte da imprensa o apelidaram), mas sua frieza não era a mesma, quando enfrentava Kasparov: Karpov tentou (ao meu ver) não apenas esconder, mas negar as emoções que os duelos contra Kasparov lhe causavam: perdeu todos os duelos mais importantes e nunca retormou a coroa de campeão...
Em todos os tempos e em todas as modalidades, vemos rotineiramente esse embate dos opostos: A. Senna e A. Prost; Mohamed Ali e Joe Frazier (também George Foreman) ou Tyson versus Evander Holyfield; Capablanca contra Alekhine ou Bob Fischer versus Boris Spassky.
Entre essas duas lendas atuais, Nadal e Federer, se passa coisa semelhante e, até agora, quem tem levado vantagem é o mais transparente, intenso, apaixonado e "leal consigo mesmo", quando o sangue começa a ferver dentro de si.