domingo, 5 de julho de 2009

Federer, serenidade, autoconfiança e trabalho duro.




Roger Federer acaba de vencer seu sexto Wimbledon, que é também seu 15º título de Grand Slam, com o que supera os 14 triunfos de Pete Sampras [que esteve presente à quadra central do All England Club e assistiu, com muitos sorrisos e breves comentários com sua acompanhante - aliás, bem ali ao lado dele estavam também Rod Laver e Bjorn Borg; Russel Crow, Woody Allen, Sir Alex Ferguson e outros ilustres estiverem, in loco, prestigiando o combate do suíço contra o norte-americano], além do fato de que Sampras nunca venceu - nem mesmo chegou à final de Rolang Garros - no saibro sagrado onde nomes como Gustavo Kuerten [tri-campeão do aberto francês] brilharam tanto.

Federer foi mais uma vez excelente; não diria que foi estupendo ou magnífico hoje, mas foi o grande Federer de sempre: sereno, aguerrido - uma garra suave, fleumática, longe da garra de vida ou morte de Rafael Nadal -, perseverante e decisivo, nos momentos psicológicos mais delicados da partida, como no tie-break do segundo set, em que virou, após estar perdendo por 6-2; perdesse este segundo set e daria adeus ao título, com certeza, apesar de sabermos que, de seis jogos em que sofreu o 0x2, virou e venceu em 5 deles!...

Roddick fez o que pôde e mais do que o que pôde, lutou e levou o jogo ao quinto set, tendo quebrado o serviço do suíço em duas oportunidade, no primeiro e quarto sets. Na única vez em que foi quebrado, perdeu o jogo, num quinto set de uma hora e trinta e cinco minutos, finalizado em inacreditáveis 16 a 14!

A vitória de Federer nos convida às lições melhores do esporte: ter garra, trabalhar sempre, confiar em si mesmo e, nos momentos mais delicados, saber manter a calma, ter equilíbrio emocional, entendendo que a vitória é mais fácil, quando se tem serenidade para aceitar o resultado que a vida escolher, após termos feito tudo, tudo o que poderíamos ter feito...

E, em sua casa, tenho certeza que Rafael Nadal sorriu - entristecendo-se um pouco mais depois, por sua lesão -, ao ver Roger quebrar mais um recorde mundial. Diga-se, ainda que no discurso de agradecimento, Federer lamentou a ausência do atual número um do mundo e tentou consolar Roddick, com o seu próprio exemplo de superação; o norte-americano, ainda chorando, meio que recusou a gentileza e, com certo amargor na voz, afirmou já conhecer o sabor da derrota em Wimbledon.

Sampras falou sobre o triunfo e o vencedor: "Federer já era uma lenda e agora virou um ícone. Ele conseguiu 15 Majors e isso é muito trabalho. Federer é um crédito para o tênis", disse o heptacampeão de Wimbledon; e falou mais: "Os criticos dizem que Nadal ganhou do Federer algumas vezes nos Majors, mas Federer ganhou todos e ainda ganhará mais. No meu livro, Federer é o melhor".

Rod Laver, dono de 12 Slams e único ser humano a vencer - e por duas vezes - todos os Slams, em um mesmo ano [1962 e 1969] sentenciou: "É fantástico como Federer dá excelentes golpes em posições impossíveis. É um feito incrível ele ter chegado a 15 Slams".

Nosso querido brasileiro [nascido argentino] Fernando Meligeni, disse em seu blog: "Não sei se vocês perceberam mas eu falei mais até agora do americano do que do vencedor do jogo. Do novo número 1 do mundo, do maior vencedor de grand slam da história, do tenista mais completo que eu vi jogar e agora com uma qualidade mais. O tenista com a cabeça mais forte em situações complicadas que eu já vi. [] Hoje valia muito o jogo, todos esses títulos que ele ganhou estavam em jogo na final de hoje. Mais ainda, o Sampras estava sentadinho lá vendo tudo. Não adianta dizer que isso não pressiona ou que o jogador nem sente isso. MENTIRA. O jogador sente a pressão, sente a importância e a grande maioria dos “mortais” não conseguem aguentar essa pressão. [] O Federer consegue, consegue isso e muito mais. [] Só tenho a agradecer. Hoje o mundo vai falar sobre tênis. Todos os meios de comunicação vão falar que o Federer é o maior de todos os tempos sem dúvida nenhuma. Melhor que isso, a conquista aconteceu em um jogo épico e contra um adversário incrível. [] Obrigado Andy. [] Sem palavras Roger, você é o cara."

Quase cinco horas de jogo, o mais longo quinto set de uma final de Slam; um dia para ser lembrado por quem gosta de esporte e humanidade...

Federer quase não tem mais perguntas a responder aos apreciadores do tênis, a não ser uma ou duas: se consegue vencer Rafael Nadal, novamente na grama de Wimbledon ou, pela primeira vez, no saibro de Roland Garros. 2010 vai ferver; Nadal retorna de lesão e estará com a faca nos dentes, para reconquistar tudo aquilo que lhe foi tirado pelas lesões, por Robin Soderling [sim, não nos esqueçamos de seus incontáveis winners incríveis, contra o rei do saibro, em Roland Garros deste ano corrente] e pelo fôlego e técnica do maduro e sereno [agora marido e, logo mais, papai] R. Federer.

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